dezembro 14, 2025

Ecos de um cabaré fantasmagórico: registros do projeto Skinnerbox

Há um tempo atrás, eu resolvi pesquisar bandas e músicas com nomes de conceitos e autores da psicologia (sou estudante de psicologia) e me deparei com o projeto 'Skinnerbox' da artista multi-instrumentista Julianna Towns. Chamo de projeto e não de banda justamente pela falta de membros - Julianna é a principal responsável pelos vocais e instrumentais utilizados, que abrangem guitarra, baixo, teclado, flauta, gaita, harpa, sintetizador, vibrafone, dentre outros. O som de Skinnerbox é completamente experimental e pode ser classificado possivelmente como 'gótico' e 'darkwave', sendo ainda associado ao que se chamou de "heavenly voices', ou 'vozes etéreas'. 

Quando ouvi o álbum epônimo pela primeira vez, me senti hipnotizada com tanto mistério e beleza entranhados nas músicas - como se eu estivesse em um cabaré assombrado, envolvida pela voz de um anjo. Após pesquisar mais sobre o projeto e sobre Julianna Towns, me surpreendi com a escassez de informações sobre ambos - mesmo os uploads no youtube das músicas tinham pouquíssimas interações dos usuários.  Por esse motivo, resolvi escrever esse post para apreciar essa produção tão subestimada e conservar as informações sobre ela para a posteridade.

Começando do começo, deve ser notado que Julianna Towns já se envolveu em outros projetos musicais além de Skinnerbox, sendo creditada por produções desde 1983. Ela já participou das bandas Peace Corpse¹ (anteriormente configurada como Moslem Birth) e  Zimbo Chips, além de ser creditada pela colaboração em álbuns de black tape for a blue girl². Além disso, Towns fundou a gravadora independente Toxic Shock Records com o marido Bill Sassenberger em 1983³. 

O projeto Skinnerbox teve o lançamento de seu primeiro álbum (também chamado de Skinnerbox) em 1988, distribuído pela gravadora Bobok Ltd. 
A seguir estão todos os álbuns e suas respectivas músicas, por ordem de lançamento. 

1 - Skinnerbox (1988)

Capa do vinil, com ilustração creditada a Mark Erskine⁴


Lado A do vinil 

Lado B do vinil

Contracapa do vinil

Músicas de destaque e recomendações: Drowning Street, Grenadine e Proud Flesh.
As fotos das capas de disco são as únicas que pude encontrar, não achei nenhuma outra com a qualidade melhor. Infelizmente, também parece ser o único registro oficial das letras das músicas. 


2 - The Playhouse (1990)
Capa do vinil, ilustração por Aubrey Beardsley⁵

Vinil⁵

Músicas que recomendo desse álbum: Always Dear Iris, Red and White Roses e Whatever We Wanted. 

3. The Imaginary Heart Of (1991).
Capa da versão em cassete⁶


Capa do vinil⁷. Infelizmente o texto também está pouco legível

Imagem do disco vinil⁷.

Músicas que recomendo desse álbum : She Drapes The Sky, Sweet Release e Sybil Vane.

Enigmas de Skinnerbox:
    Como seria esperado de um projeto musical tão obscuro (e ainda, que antecede a popularização da internet), Skinnerbox possui poucos registros online (uma página no bandcamp, no discogs e um site bem vazio⁸). Além disso, como eu comentei anteriormente, as menções e comentários sobre o projeto também são escassos, encontrei apenas alguns posts no instagram e comentários no reddit que abordam o tema. 
Outra coisa é que não existem registros oficiais das letras de nenhuma das músicas, que já são bem difíceis de serem compreendidas, tanto por eu não ser uma falante nativa do inglês, quanto por que os vocais foram gravados de forma um pouco 'difusa' e 'etérea' que dificulta a compreensão. 
    Dito isso, é surpreendente que todas as músicas catalogadas em cada álbum estejam uploadadas no YouTube, YouTube Music e Spotify (ainda que estejam 'fusionadas' a uma banda de ska com o mesmo nome). 
    Sobre a idealizadora do Skinnerbox, Juliana, encontrei as informações que já coloquei acima, sobre a sua participação em outras bandas e projetos. Foi triste descobrir que ela faleceu recentemente, em 2019¹, eu tinha lido em algum site que foi devido a problemas cardíacos, mas não consigo localizá-lo agora. O seu marido, Bill Sassenberger, relatou bastante do seu relacionamento com a esposa e a experiência de ambos com a música no livro autobiográfico Toxic Shock Records: Assassin of Mediocrity - A Story of Love, Loss and Loud Music⁹.


Referências: 

1 - https://www.instagram.com/p/C4vl-INRxS4/ 

2 - https://www.discogs.com/artist/430909-Julianna-Towns?srsltid=AfmBOoqUrc-vnPBpSDRJhR_3h4XUHhHKeQpACr_p2j0T8HyyFWM6ky3m

3 - https://en.wikipedia.org/wiki/Toxic_Shock_Records

4 - https://www.discogs.com/release/1443337-Skinner-Box-Skinner-Box

5 - https://www.discogs.com/master/336679-Skinner-Box-The-Playhouse

6 - https://www.discogs.com/release/3432882-Skinner-Box-The-Imaginary-Heart-Of

7 - https://www.discogs.com/release/5411552-Skinner-Box-The-Imaginary-Heart-Of

8 - http://www.empty.de/SkinnerBox.htm

9 - https://www.goldminemag.com/columns/punk-ology/owner-of-toxic-shock-records-on-his-punk-rock-memoir-about-music-and-lost-love/




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